Algumas coisas que aconteceram e outras que ando devendo devendo pra esse sítio AKA você:
O texto pra entrevista em áudio com o Josh MacPhee do livro Radical Records. Fiz o prefácio pra edição brasileira lançada pela sobinfluencia e eu e o Amauri Gonzo batemos um papo bem daora com ele pra falar mal de NYHC e como isso atrapalhou a gente sendo punx ao crescer, entre outras coisas a ver com o ótimo livro que ele fez.
O furor a respeito do show recente do Bad Bunny em São Paulo me lembrou de outras experiências latinas filtradas pelo mercado estadunidense antes da conformação do Complexo Industrial-musical lá pelas suas fundações inclusive, quando ainda era Indústria Musical e eu tenho um truque ou dois pra contar.
Um texto sobre o Bad Brains e a criação do sujeito pra segunda metade século 20 e (ao menos até agora) o começo do 21.
Teve show do Scream em São Paulo e eu nunca imaginei que veria isso na minha vida. Quando conheci a banda, ela já tinha acabado, foi ao descolar o CD dos dois primeiros discos que a Dischord lançou. Ali, uma das minhas bandas de hardcore estadunidense preferidas, é o som rápido e limpo, mas muito influenciado pelo começo do Bad Brains como o Minor Threat, mas muito mais cantado e com reggae e dub também. É um lado de sonoridade muito clássica do hardcore punk que tenho a impressão nunca ter feito muito auê no Brasil, mas sem o qual uma pá de coisa não teria existido, notadamente o skate punk como veio a se desenvolver. Aquelas bandas antes do tempo que se fodem por isso, acho. Fizeram dois discos ruins de hard rock e rock alternativo depois do Dave Grohl virar baterista deles, inclusive uma banda de rock alternativo dos dois irmãos vocal e guitarra que veio depois, Wool, é bem mais legal do que tentaram lá (não tem nos streamings mas linkei um clipe aí). Pelo que entendi voltaram recentemente, mas posso estar errado, sei que soltaram um disco novo, e tavam lá no Sesc Paulista sei lá como, rock mal existe no Serviço Social do Comércio, quanto mais hardcore punk. Conheço pouca gente que goste, então achei que só teria eu na platéia porque meu mano Arthur não viria de Pouso Alegre, mas tava cheio e foi muito maneiro. Tocaram super bem e praticamente só os sons dos dois primeiros discos, mais três que não reconheci e não gostei também. Ao vivo fica mais óbvia ainda a influência do Bad Brains nos HCs, nos lances reggae parece mesmo The Clash. Me arrependi de não ter comprado uma camiseta.
Tem mais um mini-doc sobre as mortes do Carnaval em São Paulo pra sair que nem teve ano passado, são minhas transas com a Pó de Vidro aí. A gente podia ter corrido e soltado antes ou logo depois do feriado nessas de interesses, audiência e algoritmo, mas isso tem que acabar em geral. A noção de hard news inclusive precisa ser implodida pra atomizar o poder das redes sociais. Elas são, bem na superfície mesmo, nem precisa aprofundar muito, essas ferramentas ideológicas do Vale do Silício (fascismo, por tanto) que fingem não emular o jornalismo corporativo hereditário anti-trabalhador enquanto o reforçam. Danem-se essas suas recompensas, são migalhas e olhe lá.
Falando em PdV, nossa produção com minha outra firma, a Caro Vapor, ficou altona numa lista de audiovisuais mais curtidos de 2025 do Letterboxd, tô muito feliz e explico melhor em breve noutro post.
Tô devendo faz muito tempo meu texto que é o definitivo sobre o doc mediano VICE is Broke a respeito da ex-firma que tanta gente sente falta, a famigerada e hoje uma pálida memória do que já foi veículo jovelho VICE. Tive mais o que fazer e esse vai sair exclusivo pros assinantes do boletim informativo do Crise AKA newsletter como cês gostam de dizer, então clica aqui e meta seu email que emitiremos poucas e boas edições com curtições desse calibre.
Recentemente assisti pela primeira vez um filme acachapante do final dos anos 1970, A Lira do Desejo, magnífico, e revi o quadrinístico oitentista . Ambos muito bonitos, nacionais, recomendados e encontráveis em boa qualidade no YouTube. Linkadas ali minhas impressões, revoltas e dá pra dizer que até breves análises sobre essas jóias do seu, do meu, do nosso audiovisual.
No sábado acordei cedo. Depois levei minha filha na natação. Os EUA declararam guerra ao Irã.

